Gol da Alemanha! Dessa vez não.

Brasil: De campeão do mundo até o 7X1: como voltar para a primeira divisão?

Final da Copa do Mundo de 2002: Brasil 2×0 Alemanha, Brasil pentacampeão mundial, euforia total. Aquela frase do Galvão em 94: pra que se mexer Taffarel! Então, porque mexer? Do ataque sai Fernando e entra Luís. Junho de 2008: o Brasil recebe o título de grau de investimento pela agência de avaliação de rating Standard & Poor’s (Perdoem, eles não sabem o que fazem – Lucas 23), momento marcado por: crescimento da economia (PIB), dívida fiscal e externa sob controle e risco país por volta de 200 pontos.

Semifinal da Copa do Mundo de 2014: Brasil 1×7 Alemanha, a seleção brasileira sofre um “apagão”, o técnico é o mesmo de 2002, mas o sentimento é de profunda depressão. Setembro de 2015: A Standard and Poor’s (S&P) foi a primeira agência a rebaixar a classificação de risco (Viu! Eles não sabiam mesmo) e o Brasil perdeu o grau de investimento, logo depois as outras duas agências o fizeram. A situação era oposta à de 2008: econômica em recessão, nível recorde de desemprego, alta taxa de juros, inflação descontrolada e risco país mais alto. Enquanto uns choram, outros vendem lenço – Nasce mão de obra para o Uber!

A pergunta que fica é: quando e como o Brasil poderá recuperar o grau de investimento? Lembrando que a classificação de risco do Brasil está dois graus abaixo do grau de investimento.

Nos últimos 12 meses já houve recuperação de importantes indicadores do mercado: 1) alta do Ibovespa de 55%. 2) queda do dólar de 22% e; 3) redução do risco país (de 490 pontos base em fev/16 para os atuais 230 pontos). Esses indicadores demonstram uma melhoria na percepção do investidor, principalmente estrangeiro, em relação ao Brasil. . 

Podemos dizer que com que o impeachment já mudamos de técnico ultrapassado e colocamos os melhores jogadores na equipe econômica (ministro da Fazenda e presidente do Banco Central), mas a recuperação do grau de investimento pode demorar e está muito ligada à reforma da previdência, ajuste fiscal, evolução da relação dívida líquida/PIB, aumento do nível dos investimentos e recuperação da economia.

Acreditamos que os indicadores do mercado antecipam um aumento da nota soberana em um nível, mas o mercado trabalha com expectativas e as agências de classificação de risco reagem diante de fatos concretos. Segundo relatório do banco Credit Suisse, o tempo mediano para a reversão de uma queda na classificação de risco de um país é de cerca de 33 meses (quase três anos).

Estamos otimistas e acreditamos que o pior já passou. A boa notícia é que o Governo deve acelerar as reformas no Congresso esse ano, pois teremos eleições em 2018. Se o Brasil fizer a sua lição de casa, poderá voltar a primeira divisão do futebol. Se houvesse um terceiro tempo contra a Alemanha na Copa do Mundo em 2014, com o time do Brasil completo e organizado, poderíamos buscar os 7×1, empatar e quem sabe até virar esse jogo. Glória, glória, aleluia é Gabriel Jesus!

Por último, reforçarmos nossa visão otimista para a bolsa de valores nos próximos anos. Se mesmo sem o grau de investimento, já acreditamos que o Ibovespa pode chegar aos 100 mil pontos ao final de 2018, imaginem o potencial de valorização se o Brasil recuperar o grau de investimento em algum momento de 2019, quem sabe depois do Carnaval. Depois de um longo tempo, a quarta-feira de cinzas não terá aquele gosto amargo da ressaca e as perspectivas poderão ser muito mais positivas.

PS: começamos a escrever esse texto ontem. Aos 45 do segundo tempo saiu o primeiro gol do Brasil: quarta-feira a agência Moody’s colocou o rating do Brasil em perspectiva estável (de negativa). Vamos para cima Brasil!

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